13/01/2017

Princesa de Papel - Erin Watt


Autor: Erin Watt | Editora: Essência | Páginas: 368
Skoob: Adicione | Compre: Livraria Cultura • Saraiva | Classificação: 3/5 (Bom)
Sinopse: Ella Harper é uma sobrevivente, uma otimista pragmática. Ela passou toda a sua vida se mudando de cidade em cidade com sua mãe, lutando para fazer jus às despesas e acreditando, que um dia ela vai sair da sarjeta. Após a morte de sua mãe, Ella fica verdadeiramente sozinha. Até Callum Royal aparecer, arrancando Ella da pobreza e jogando-a em sua mansão elegante, com os seus cinco filhos que a odeiam. Cada menino Royal é mais magnético do que a último, mas nenhum tão cativante quanto Reed Royal, o menino que é encarregado de mandá-la de volta para as favelas de onde veio. Reed não a quer. Ele diz que ela não deveria estar com os Royals. Ele pode estar certo. Riqueza. Excesso. Decepção. É diferente de tudo que Ella já viveu, e se vai ter que sobreviver seu tempo no palácio Royal, ela vai precisar aprender a emitir seus próprios decretos reais.
Ella tem dezessete anos, mas já viveu coisas piores do que muito adulto. Tudo que ela sonha é levar uma vida normal como todo adolescente comum, e acha que o melhor caminho é entrar na faculdade para tentar ser alguém na vida. Mas quando ela é chamada à sala do diretor durante a aula de cálculo, logo percebe que seu desejo de normalidade está ameaçado por um homem que diz ser amigo de seu pai e possui uma papelada afirmando ser o guardião de Ella. Mas o pai dela é uma icógnita, tudo que ela sabe sobre ele pode-se contar em uma mão. E este homem é estranho. Como saber se o que ele diz é real, se tudo que ele promete a ela foge da realidade de uma garota que viveu à beira da miséria?

Comecei a ler Princesa de Papel durante uma viagem longa, cansativa e tediosa durante as férias de fim de ano. Era o único livro não lido no meu tablet e eu não tinha escolha, mas não me importei já que realmente queria lê-lo. Sabe quando você vê um livro e tudo indica que ele é do tipo que você gosta? Quando você lê a sinopse, se interessa e cria um milhão de expectativas? Daí começa a ler e...

- O quê?
- Como? 
- Não creio que estou lendo isso!

Foi exatamente isso que aconteceu comigo. Ele não foi nada do que imaginei, começando pelo gênero. Eu pensei ter em mãos uma bela distopia com realeza, vestidos bufantes e castelos fantásticos - a lá A Seleção ou A Joia - e me deparei com um new adult que, oh man, forçou a barra demais! Sim, caro leitor, se você pensa em ler este livro, preciso te informar uma coisa: ele só fala de sexo. Não há duas páginas de conversa séria, porque mesmo que estejam falando de algo sério ou aleatório, algum jeito as autoras davam para colocar sexo no diálogo, com alguma piada ou comentário sujo sem sentido com todo o resto. E o engraçado é que há poucas cenas reais de sexo no livro. Já li outros livros do mesmo gênero e eles não foram tão forçados como esse. O que, creio eu, era para ser sensual, acabou ficando massante e cansativo.


E por falar em coisas cansativas, quero chamar ao palco Ella Harper, a mocinha do livro, que só pode ter uma gêmea não declarada porque a Ella das 100 primeiras páginas é uma garota e a do restante do livro é outra completamente diferente. Durante o decorrer da estória, vemos uma garota forte, madura, que viveu tanta coisa na vida e aprendeu com elas passar a ser frágil, imatura, ter atitudes tão bobas. Sem contar esse amor doentio que ela passa a nutrir por Reed, que só a maltrata. Quando ela deixou de ter amor próprio dessa forma? Me lembrou muito a música Cafajeste, de Thaeme e Thiago porque olha, é piração total mesmo. Para mim, foi impossível gostar dessa personagem.

Se você não se dá o respeito em primeiro lugar, como pode esperar que os outros o façam?!
"Eu gosto de mostrar como eu sou resistente, e sim, eu sou, até certo ponto. Estive pobre e com fome. Fui criada por uma stripper. Eu sei como dar um soco se eu tiver que fazer. Mas eu tenho apenas dezessete anos. Às vezes me sinto muito jovem para ter vivido a vida que tenho." (Cap. 2)
"Quando estávamos mudando por aí tantas vezes, eu pensei que precisava de raízes. Quando minha mãe, teve seu enésimo namorado que ria de mim o tempo todo, eu me perguntava se eu precisava de uma figura paterna. Quando eu estava sozinha à noite e ela estava trabalhando, longas e cansativas horas servindo mesas, tirando a roupa e Deus sabe mais o que para me manter alimentada e vestida, ansiava por irmãos. Quando ela estava doente, eu orei por dinheiro. E agora eu tenho tudo isso e estou pior do que antes." (Cap. 35)


Não se engane: Princesa de Papel não tem nada a ver com princesas. No meu entendimento, foi só um trocadilho com o sobrenome Royal, por eles darem ordens à todos como se fossem reis e à fragilidade da Ella pós-mansão-Royal, comparada a um papel. E falando nos Royals... uau, como são babacas! O único personagem pelo qual senti algo próximo à simpatia foi Easton. Diversas vezes os personagens agiam de forma sem sentido. Em uma passagem em especial, eles resolveram um problema importante de maneira mais que infantil. Acho que as autoras deveriam ter tratado o fato com mais importância, afinal isso acontece diariamente e aquela não é, nem de longe, a melhor maneira de lidar com tal situação (não irei me aprofundar para não dar spoiler).

No final, fiquei com impressão de que todos os livros desse gênero giram em torno de personagens bad boys (que exalam masculinidade e só a simples presença deles no cômodo fazem todas as garotas delirarem) e garotas frágeis, que mesmo sendo maltratadas se apaixonam perigosamente por eles e mal sabem elas que os lindos, sarados e másculos caras escondem um passado e segredos horríveis. Sério, todos new adult que li eram mais ou menos assim (vou citar dois que me vieram á mente durante a leitura: Belo Desastre - resenha aqui -  e As Batidas Perdidas do Coração). Alguém pode me dizer se é verdade ou eu que tive a má sorte de ler os clichês?
"Eles precisam de uma dose da vida Royal. E eu sou a dose? Eu faço uma carranca. — Eu não sou uma lição pós escola. E sabe de uma coisa? Eu experimentei a vida Royal e é uma porcaria. Eu não forçaria a vida Royal sobre as pessoas que eu mais amo. Eu tentaria protegê-los disso." (Cap. 10)
Enfim, uma história que tinha uma boa premissa, mas que, na minha opinião, pecaram no desenvolvimento, elaboração dos diálogos e construção dos personagens. Não sei se lerei o próximo livro. Por mais que não tenha sido uma leitura maravilhosa (já comecei o ano com uma leitura mais ou menos, fué), não foi de todo ruim. Pelo menos serviu para passar o tempo e me distrair durante a ida e volta da viagem de 6 horas que fiz.

Beijocas e até a próxima!

15 comentários:

  1. Livro assim acho muito apelativo, sei la, não gosto dos hot hahaha :P

    Bjinhos,
    ❥ AmigaDelicada.com.br

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    1. Eu também não gosto! Todos que li foi sem saber que eram assim.

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  2. Nossa, de cara eu gostei do livro, pela capa, pela sinopse, aí você foi me contando como que era e eu desanimei muito. Já li belo desastre mas acho que esse livro se parece mais com After da Anna Todd, conhece? É quase um capítulo todo com detalhes explícitos de sexo, mostrando uma garota totalmente frágil e dependente do homem. Eu já estava procurando o livro na internet pra ele mas perdi totalmente o ânimo.

    criaturacrista.blogspot.com.br

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    1. Já ouvi falar! O pior é que esse livro, em vista do gênero, até tem poucas cenas reais de sexo. Ás vezes os personagens estavam falando de algo sério ou aleatório e de algum jeito estranho sempre acabava com alguma piada ou comentário sujo nada a ver. Isso que me irritou! Não sei se consegui ser clara na resenha.

      Que bom que te livrei dessa. É péssimo nutrir expectativas e perceber que não é nada do que imaginava. Obrigada pela visita! 💋

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  3. Ainda não lemos nenhum livro do gênero New Adult, e pela resenha parece ser um gênero que não nos prenderiam a atenção, pois não gostamos de livros apelativos. Mas realmente pela capa dá para achar que vai ser um livro totalmente diferente.

    Beijos



    http://onlyinspirations.blogspot.com.br/

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  4. Se fosse pra comprar esse livro pelo nome, ou até mesmo pela capa compraria com certeza! Mas por ele só falar de sexo, chega a ser maçante demais. Livros assim são apelativos demais=/
    Amei a resenha *--*
    Beijos
    garotasnaamoda.blogspot.com

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    1. Poisé. Eu li sem saber que era um new adult. Se soubesse não teria lido, pois não gosto desse tipo de livro. É comum do gênero ser mais picante, porém há uma grande diferença entre sensual e apelativo.

      Obrigada pela visita! 💕

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  5. Nossa, que pena que ele ficou tão perdido! Eu gosto de New Adult, mas quando é mais de boa sabe? Sei lá, achei o Belo Desastre que você citou bem ok perto desse. A ideia do trocadilho é legal, mas foi uma pena terem se perdido dessa forma. Bom, mas pelo menos agora você sabe que ele não é bom rs

    www.vestindoideias.com

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    1. Sim, eu citei Belo Desastre mais pela semelhança quanto à ter Bad Boys e serem new adults e não por ser apelativo. Ele é ok perto desse!

      Apenas sinto pena das pessoas que vão comprar enganadas, assim com eu. ☹️

      Beijoca e obrigada pela visitinha 💕

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  6. Caramba, fiquei muito curiosa, já quero ♥
    com amor, Bru
    Mania de Bruna

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  7. Nossa, fiquei surpresa.
    Quando vi a capa e o primeiro resuminho do post, achei que seria de princesa também, que passariam a amá-la e ela se tornaria rica e usaria vestidos rodados, rsrs.
    Que pena que não é assim...
    Beijinhos,
    Sabrine Varolo.
    Blog Entre Garotas

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    1. Poisé, esse livro é pior que as propagandas da Record. Enganação pura! 😂
      Obrigada pela visita e seja sempre bem-vinda ✨

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  8. Oi, Polyana!
    Logo que vi a divulgação da capa desse livro fiquei instigada a ler por ela ser linda, mas à medida que os comentários foram saindo e divergindo grandiosamente, aí já fiquei com pé atrás e depois da sua resenha nem penso mais em pegar para ler, ao menos, por hora. Complicado isso de uma mocinha antes tão madura e forte caindo de amores de repente por alguém que a destrata tanto. Se bem que a parte sobre falarem tanto de sexo - e ironicamente não o fazerem realmente como se espera - já me repeliu totalmente, não à toa são poucos os new adults que paro para ler realmente. É bem clichê mesmo essa coisa do bad boy que parece que pode agir como bem entender, o que é mesmo horrível de se ver em tantos romances jovens, por isso sempre vibro quando vejo um mocinho simplesmente humano e sem toda aquela perfeição externa, além de ter uma relação tranquila e natural com a mocinha que não seja fazê-la cair de amores por ele no primeiro segundo em que parece e coisa assim; é irritante mesmo, mas apesar de tudo isso, bom que, de alguma forma, o livro ainda conseguiu te entreter, ainda que com suas ressalvas. Parabéns pela resenha e, mais ainda, pelas fotos maravilhosas, que arraso! <3
    Beijos!

    ♥ Sâmmy ♥
    ♥ SammySacional.blogspot.com.br ♥

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